Tinta, suor, saliva e sangue
Quem sou, quando nasci, como e por quê?... acho que isso não é o essencial. Alguém dirá um dia. O que pode contar por enquanto é mesmo meu ato de escrever. Meu ofício de ser doido sem despirocar. Tenho a impressão de que nós, pretos, escrevemos por atordoamento, porque nossa civilização é a civiliza...
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| Autor principal: | |
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| Format: | Online |
| Idioma: | portuguès |
| Publicat: |
EuroPhilosophie Éditions
2024
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| Matèries: | |
| Accés en línia: | ONIX_20240916_9791095990291_148 |
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| Sumari: | Quem sou, quando nasci, como e por quê?... acho que isso não é o essencial. Alguém dirá um dia. O que pode contar por enquanto é mesmo meu ato de escrever. Meu ofício de ser doido sem despirocar. Tenho a impressão de que nós, pretos, escrevemos por atordoamento, porque nossa civilização é a civilização da palavra. Também porque nossa visão de mundo é antes e acima de tudo uma palavra. Pra encurtar, se me pedissem pra definir minha escrita com relação à escrita negra, diria isso: gostaria que lendo qualquer um de meus livros Senghor exclamasse: “Mas é isso a negritude, caramba!” Simplesmente porque não se pode deixar de ser preto. Melhor dizendo: não se pode, quaisquer que sejam as pedras que faremos lançar sobre nós nos campos da polêmica, não se pode deixar de ser negro. Sou escritor e negro. |
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